Escola o Dia Todo

Escola o Dia Todo

Pais no trabalho, filhos na escola. Não há melhor combinação, especialmente para as mães, que ainda arcam com a maior parte dos cuidados com as crianças. Para elas, o único senão dessa história sempre foi contar com essa tranqüilidade por apenas meio dia. É que, passada a fase do bebê no berçário, poucas escolas ofereciam a possibilidade de período integral. Hoje, a boa nova é que a situação se inverteu. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 98% das escolas particulares de educação infantil no país trabalham com turnos de mais de cinco horas. Em muitas, isso ainda significa apenas um dia de atividades extras na escola durante a semana. Em outras, o período integral já é opção de rotina de segunda a sexta-feira. “A ampliação da carga horária escolar é há muitos anos uma realidade em escolas européias e americanas. Aqui, chegou para atender à necessidade de pais que não dispõem de tempo para se deslocar com os filhos em suas atividades e querem livrá-los do estresse do trânsito e da insegurança das ruas”, avalia a educadora Neide de Aquino Noffs, professora da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo e autora do livro O Psicopedagogo na Rede de Ensino (Editora Elevação, 2003).

Salto de qualidade

A expansão do horário escolar começa também a se estender para o ensino fundamental – atinge 12,7% das instituições, segundo o Inep. Para os especialistas, tanto nesse nível quanto na educação infantil, a mudança é maior do que a simples permanência ampliada na escola. “Além de entreter a criança com brincadeiras e dar a ela cuidados de alimentação e higiene, os colégios passaram a investir em atividades mais pedagógicas, voltadas para a formação artística, cultural e esportiva do aluno, o que é um salto de qualidade”, diz Neide Noffs. Para a pedagoga Silvia Gasparian Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, “essa é uma tendência que veio para ficar”.

Com certeza. Até as escolas mais tradicionais do país, como o São Luís, em São Paulo, com 136 anos de existência, se renderam às necessidades dos novos tempos. “Implantamos este ano o curso de período integral para crianças até a 4a série, depois de uma pesquisa com pais de alunos, com 80% de aprovação. A procura no primeiro semestre já superou as expectativas que tínhamos para o ano todo”, afirma Viviane Verdasca, coordenadora do integral da escola, onde o menino Victor, de 2 anos, passa 10 horas por dia. “É uma opção cara, mas vale mais a pena do que pagar uma babá para cuidar do meu filho. Na escola, não há limitação de conteúdo e de paciência”, diz a mãe, a comerciante Paula Yoon Sook Im.

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